INTRODUÇÃO
O espírito é a parte mais profunda e íntima do ser humano. Scofield comentou nas notas de sua Bíblia que “sendo o homem espírito é capaz de ter conhecimento de Deus e comunhão com ele. Sendo alma, tem conhecimento de si próprio. Sendo corpo, tem, através dos sentidos, conhecimento do mundo”. Neste estudo, estudaremos as relações do espírito, as suas faculdades e como administrar o próprio espírito para o cumprimento de suas funções naturais, conforme Deus estabeleceu.
I. QUE É O ESPÍRITO HUMANO
Na Bíblia, a palavra espírito deve ser interpretada dentro do seu contexto para que seja entendido o seu real significado (Mt 27.50; Lc 8.55; Lc 24.39; Jó 12.10; Jó 32.8; 1 Co 14.15 e Is 26.9).
1. A distinção do espírito humano. O espírito humano é mais que a simples respiração ou fôlego de vida. É parte principal que o habilita a ter comunhão pessoal com seu Criador, mediante a salvação em Cristo e agência do Espírito Santo. É o espírito que vivifica a alma e dá-lhe consciência de Deus. Mediante Cristo, é ele que nos relaciona com Deus na oração, na adoração e na comunhão. Das criaturas de Deus só o homem possui espírito, o que o torna singular no reino físico (Jó 12.10).
II. DISTINÇÃO ENTRE ALMA E ESPÍRITO
Alma e espírito compõem a parte imaterial ou espiritual do ser humano e são distintas. Há muito de misterioso e profundo na compreensão detalhada do espírito, alma e corpo humanos. Particularidades não estão reveladas na Bíblia, principalmente quanto à alma e ao espírito. O próprio corpo – o elemento mais conhecido, encerra mistérios que nem os estudiosos, nem a ciência puderam desvendar: nas células, no sangue, no tríplice sistema nervoso e no equilíbrio e sincronia das funções de seus muitos órgãos. Imagine você, agora, as verdades ocultas na área da alma e do espírito!
Alguns textos na Bíblia referem-se, às vezes, à alma e ao espírito como se fossem uma coisa só. Porém, o vasto conteúdo bíblico deixa claro que há uma perfeita e indiscutível distinção entre alma e espírito. Uma vez que alma e espírito são diferentes, intensamente conjugados, certas referências bíblicas ao espírito abrangem a alma e vice-versa (Ec 12.7 e Mt 10.28; Ap 6.9 e Hb 12.23; Lc 23.46 e At 2.31; Gn 35.18 e Tg 2.26; 2 Co 7.1 e 1 Pe 2.11; Tg 5.20 e 1 Co 5.5).
1. A composição tríplice do homem. “O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo vosso espírito e alma e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.23). Uma outra escritura mostra a mesma distinção de modo claro: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, é mais penetrante que espada alguma de dois gumes; que penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.12). A Palavra de Deus penetra até a divisão da parte imaterial do homem as quais são alma e espírito.
III. FACULDADES DO ESPÍRITO HUMANO
São duas as faculdades essenciais do espírito humano: fé e consciência. Essas duas faculdades identificam a religiosidade do homem, isto é, o seu lado intermediário espiritual. Fé e consciência expressam a natureza moral e espiritual do homem e mostram sua primazia e diferença da criação irracional. Pela alma, o homem revela a sua personalidade através dos sentimentos físicos e psicológicos. Pelo espírito, o homem manifesta, pelos sentidos espirituais, o seu ser espiritual (Hb 5.14).
1. Fé. É uma qualidade do espírito com significação profunda e ampla. Ela envolve outras qualidades como adoração, esperança, reverência e oração. A fé é a expressão máxima da natureza religiosa do homem. Ela abre caminho para a adoração a Deus, o Criador. A fé suaviza o futuro com a esperança. Daí, o fato de que o homem tem intrínseca em seu espírito, a crença em Deus. É a chamada fé natural. Notemos o fato de que este tipo de fé tem o sentido de crer. Deus, o Criador, dotou o ser humano da capacidade de crer. Não se trata de fé salvadora, ou fé como fruto do Espírito, ou fé como dom do Espírito. Trata-se de fé como crença inerente em Deus.
2. A consciência. É a lei moral e espiritual, gravada no espírito do ser humano, que age como juiz, que aprova ou desaprova o procedimento de uma pessoa (Rm 2.15; Ec 7.22; 1 Jo 3.21; Gn 42.21). Na linguagem popular a consciência é a voz de Deus no espírito do homem. É uma lei moral interior, inscrita pelo Criador para nos manter em alerta e aprovar ou reprovar nossos atos e atitudes consoante nossas prévias convicções morais. Essas convicções devem vir da Palavra de Deus.
IV. PECADOS CONTRA O ESPÍRITO HUMANO
1. O pecado afetou o espírito humano. Diz-nos a Palavra de Deus: “Portanto, assim como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12). Aqui está a declaração de que “todos pecaram”, isto é, cada pessoa e todos os seus elementos: corpo, alma e espírito.
2. O aferidor do espírito humano. O caráter santo de Deus é o meio aferidor do estado e conduta do espírito humano. Deus é o aferidor universal da criação, isto é, pelo seu caráter santo e justo, Ele é a base da justiça para julgar as ações do homem. Porém, é preciso esclarecer que a nossa consciência não é o árbitro final das obras do homem, mas sim Deus.
3. Pecados contra a crença inata em Deus. Depois da queda, todas as faculdades morais e espirituais do homem foram afetadas pelo pecado. Então, a comunhão entre Deus e o homem foi abolida, sendo somente restaurada por Jesus Cristo naquele que nEle crê (Ef 2.13-18).
a) Idolatria. Esse é um pecado que atinge frontalmente a soberania e a santidade de Deus. O primeiro dos dez mandamentos dados a Moisés, estabelece: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3). Aprendemos também, que esse mandamento ensina a eterna autoridade do Criador. A Ele pertence a glória, o poder e a honra. Portanto, idolatria é rebelião contra Deus.
b) Orgulho. O orgulho é um pecado que faz o homem levantar-se contra Deus e os homens igualmente. É vanglória, soberba, arrogância, presunção, exaltação. Uma das evidências do orgulho é a sede insaciável pelo poder, a busca desenfreada de auto-afirmação. A Bíblia diz que o orgulho endurece o espírito (Dn 5.20); o orgulho é um obstáculo que impede o homem de buscar a Deus (Sl 10.4; Os 7.10). A Bíblia condena o orgulho com veemência e diz que os orgulhosos serão abatidos (Dn 4.37; Mt 23.12); castigados (Ml 4.1); justiçados (Sl 31.23).
c) Egoísmo. É outro pecado do espírito humano. O egoísmo torna o espírito das pessoas obsessivo em torno do seu próprio eu. Tudo o que faz, pensa ou realiza gira em torno de si mesmo. A grande vitória espiritual do crente está em crucificar seu ego, para que Cristo reine e se assente no trono do coração (Gl 2.20). O egoísmo abriga e esconde certos pecados da carne, como adultério, embriaguez etc. Esse pecado contraria a natureza fraterna e altruísta do homem (Rm 15.1; 1 Co 10.33).
d) Dureza de coração. Outro termo conhecido com o mesmo sentido é “duro de cerviz”. A “dureza do coração” refere-se à insensibilidade de uma pessoa para com o próximo e para com Deus (1 Sm 25.3). A expressão “dura cerviz” refere-se à pessoa que não se submete a qualquer ordem ou mando. A palavra “cerviz” é de origem latina e significa nuca, pescoço. É o espírito insubmisso, autoritário, autocrático (Êx 32.7-9; At 7.51).
CONCLUSÃO
A mordomia do espírito humano implica, portanto, na administração das faculdades que expressam as ações do espírito. A manutenção das nossas relações espirituais com Deus é de fundamental importância para uma vida feliz.
Fruto do Espírito
Conjunto de virtudes morais e espirituais amadurecidas pelo Espírito Santo na vida do crente como resultado de uma permanente comunhão com Cristo (Gl 5.22,23)
Dons do Espírito
Recursos extraordinários que o Senhor Jesus, mediante o Espírito, colocou à disposição da Igreja, visando a sua santificação e edificação.